Essa semana, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, se disse surpreso com os índices inflacionários no último mês. Segundo dados oficiais do IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a inflação acelerou 1,62 por cento só em março e trata-se da maior escalada do IPCA, o índice de preços ao consumidor amplo, desde a implantação do Plano Real em 1994.

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto

Em outras palavras, é a maior elevação mensal de preços da economia brasileira nos últimos 28 anos. Além das consequências econômicas, a alta da inflação tem reflexão política e é provavelmente o maior obstáculo à reeleição do Presidente da República.

A oposição do quanto pior melhor, aquela que mal consegue disfarçar sua alegria com as dificuldades enfrentadas pelo país, já tem a narrativa bem ensaiada, culpando o governo pela alta de preços.

Essa campanha panfletária é atribuída a um grupo de designers e de publicitários anônimos e foi divulgada de forma coordenada por políticos, celebridades e jornalistas ligados à esquerda em março de 2021.

Numa coincidência incrível, essa também foi a tônica do discurso de Lula na sua primeira coletiva de imprensa após a sua “descondenação” pelo STF. Ele disse: “se você não sabe como eu ficava feliz quando eu via um trabalhador mostrar uma picanha e falar eu vou comer picanha, e vou tomar uma cerveja e é uma coisa fantástica…”

Foto de Lula
Lula, Picanha e Cerveja

Fantástica mesmo é memória seletiva do Lula

Por maior que seja a inflação agora em razão dos efeitos da pandemia, da guerra, ela já foi maior no seu próprio governo 13,98 por cento no acumulado de 12 meses em outubro de dois mil e três sem falar no desgoverno Dilma quando o aumento generalizado de preço também superou a casa dos 10 por cento.

A inflação de 2015, por exemplo, foi maior que a inflação de 2021. A diferença é que só no ano passado, o Brasil gerou mais de dois milhões e setecentos mil postos de trabalho com carteira assinada e no total o país contabilizou mais de 8 milhões de pessoas ocupadas.

Já no governo Dilma em 2015/2016 foram mais de dois milhões e oitocentos mil empregos formais extintos, isso num cenário sem qualquer crise internacional apenas em razão da incompetência e da corrupção dos petistas e dos seus aliados de ocasião.

A real é que tudo que o PT entregou de bandeja com uma mão, ele arrancou à força com a outra depois de algum tempo… inclusive a picanha. Mas o ponto aqui é que a inflação atual, ao contrário da inflação da era petista, não é uma exclusividade da economia brasileira. Esse aumento generalizado de preços é um fenômeno Global causado pelos efeitos da paralisação Econômica durante a pandemia e pela guerra em curso na Europa.

Tanto a pandemia, quanto a guerra, geraram escassez e interromperam cadeias de produção acarretando um aumento de preços generalizados. Os dois principais itens que estão puxando a inflação Mundial são os preços da energia, especialmente os derivados de petróleo e o preço dos alimentos.

Até aquele especialista em “despiora” da economia escreveu ontem um artigo sobre esse tema na Folha de São Paulo “inflação mundial da comida é a maior em 32 anos… disparada de preços de alimentos medida pela FAO é recorde…”. Diz o artigo: “o preço de carnes, grãos e derivados de leite óleos e açúcar não era tão alto faz pelo menos 32 anos segundo as contas da FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

A inflação americana da gasolina em particular, ajuda a derrubar a popularidade do presidente de Joe Biden. Os preços para o consumidor americano aumentaram oito e meio por cento em março, na comparação com março do ano passado, ritmo mais veloz em mais de 40 anos. A comida em casa aumentou 10 por cento. E vejam só que coincidência: aqui no Brasil é a mesma coisa!

No último mês, o maior aumento no IPCA se deu no preço dos transportes: três por cento, com destaque para a gasolina que subiu quase sete por cento. Na sequência, vem o grupo de alimentos e bebidas que subiu mais de dois e meio por cento, ainda se recuperando das perdas em razão da crise hídrica que assolou a lavoura em 2021.

Segundo a FAO, aquela entidade ligada à ONU, o preço dos alimentos no mundo aumentou 33% em um ano. Some-se a isso a retomada Econômica pós pandemia e o fato de que o barril de petróleo acumula alta de 35% especialmente por causa da guerra e você tem um fenômeno global de inflação.

Portanto, quando você ouvir que o aumento dos preços é culpa do governo, é culpa do presidente, saiba que isso é desinformação. Lula não passa de um demagogo desesperado abanando aí a sua picanha imaginária para angariar a simpatia de um povo que empobreceu na mão de quem pregava o “fique em casa, a economia a gente vê depois.”

E Lula é o criador da Dilma, a estocadora de ventos e mãe da recessão, que não tem moral nenhuma para falar sobre desemprego, inflação, até porque em países governados e exaltados pela esquerda brasileira a situação é muito pior.

Para ficar nos dois exemplos mais óbvios, enquanto a inflação no Brasil fechou 2021 em 10%, a inflação na Argentina superou 50 por cento e em relação à Venezuela atingiu inacreditáveis 680 por cento.

Ah e por lá nesses países eles fazem exatamente o que Lula quer fazer no Brasil: o controle e até o congelamento de preços de itens essenciais, o que acaba gerando escassez e crises de desabastecimento. Mas qual é a perspectiva da inflação aqui no país? Há três boas notícias nesse front: primeiro, a redução ou isenção de tributos sobre os combustíveis, o que tende a baratear o custo do gás, do diesel e da gasolina para o consumidor final; segundo, o fim da crise hídrica que provocará uma redução sensível na conta de energia elétrica e vai favorecer a produção agrícola, reduzindo a escassez de alimentos e, terceiro, a valorização da moeda nacional.

Esse ano, dentre as 38 moedas monitoradas pelo FMI, o Fundo Monetário Internacional, o Real foi aquele que mais se valorizou frente ao dólar. Ainda não é suficiente para recuperar um “boom” da pandemia que chegou aí a trinta por cento, mas já é um alívio em termos de custos de importação de commodities e produtos.

Considerando o programa bilionário de concessões de ativos de infraestrutura e o recorde de investimentos estrangeiros na Bolsa de Valores, a valorização do real tende a persistir. Todos esses fatores, associados a taxas mais altas de juros contribuem para a desaceleração da inflação, mas o aumento de poder de compra do cidadão não será um processo rápido.

E esse é o principal desafio de comunicação da campanha do Presidente da República pela sua reeleição: explicar para uma sociedade empobrecida que a culpa pela escalada dos preços não se deve a sua política econômica e demonstrar que com a esquerda no poder a situação já foi e provavelmente seria muito pior.

De qualquer maneira, a inflação é sem dúvida o adversário mais poderoso de Bolsonaro nessas eleições. Por outro lado, os fatos são seus maiores aliados.

É questão de saber transmiti-los à população, porque o outro lado fará o que for possível para trazer desinformação, que é o que de fato, empobrece nossa sociedade.

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