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Hoje quero falar com vocês sobre a antecipação do segundo turno nas eleições de 2022. Isso, porque diante dos resultados das pesquisas de intenção de voto e levando em conta a ausência de candidaturas alternativas minimamente viáveis, o eleitor está sendo instado a fazer o seu juízo de 2º Turno já na primeira etapa eleitoral e isso pode ser constatado estatisticamente.

Eu já fiz aqui uma defesa improvável das pesquisas eleitorais com fontes confiáveis para o desenvolvimento de análises políticas. Os meus argumentos se apoiam na premissa de que a leitura mais correta desses levantamentos passa pela observação das tendências e não dos números do momento.

Em outras palavras, é a diferença entre olhar para uma fotografia e assistir a um filme… e vamos combinar: um filme nada mais é que uma série de imagens estáticas e em movimento, um conjunto de instantes capturados em sequência que nos proporciona mais elementos para interpretar a realidade presente e antecipar os futuros.

E o enredo desse filme eleitoral de 2022 caminha para uma situação de equilíbrio de forças entre os dois antagonistas que polarizam a disputa. A questão é que um dos candidatos permanece estagnado, enquanto o outro paulatinamente ganha terreno.

Foi divulgada ontem a última pesquisa poder data de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2022. A diferença entre Lula e Bolsonaro voltou a cair e agora tá em cinco pontos no primeiro turno, ou seja, apenas um ponto de folga para o petista, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.

A quinze dias no final de março, a poder data indicava uma diferença de nove pontos percentuais a favor de Lula; há 1 mês 10 pontos; em fevereiro 11 pontos. Em janeiro passado, Lula liderava com 14 pontos de vantagem, quase o suficiente para levar eleição no primeiro turno. Todos esses levantamentos foram feitos pelo mesmo instituto seguindo a mesma metodologia e os dados apontam uma tendência muito clara: o crescimento da candidatura de reeleição do Presidente da República.

E aqui tem um fato curioso que merece ser pontuado: segundo as pesquisas referentes ao 1º turno, é Bolsonaro que está crescendo e não Lula que tá caindo. Desde o começo do ano o petista tem oscilado dentro da margem de erro na casa dos 40 pontos percentuais.

Foi Bolsonaro que aumentou de 28% para 35% as suas intenções de voto, reduzindo a diferença entre os candidatos. E nós podemos afirmar com certa segurança que esses votos vieram de outros pré-candidatos naquela chamada terceira via, isso porque o número de votos brancos e nulos se manteve o mesmo desde janeiro, oscilando na faixa de 5 a 7 por cento com outros quatro ou cinco por cento do eleitorado ainda indeciso.

Só para efeito de comparação, em maio de 2018, nas eleições passadas, o número de eleitores que declaravam voto branco ou nulo no primeiro turno era de vinte e oito por cento e outros oito por cento se diziam indecisos.

E, assim considerando o número pequeno de eleitores sem candidato e a desidratação das candidaturas da chamada Terceira Via, a tendência é que o primeiro turno de 2022 sejam na verdade um ensaio ou até uma antecipação do segundo turno.

E quando nós analisamos os números da poder data para o segundo turno, as coisas não vão muito bem para o lado do partido quadrilha. A vantagem de Lula sobre Bolsonaro que em setembro do ano passado era de 25 pontos; em janeiro desse ano 22 pontos e a 15 dias 12 pontos, agora é de apenas nove pontos percentuais. O atual presidente tem 38 por cento contra 47 por cento do ex-condenado.

Pessoal, a gente está falando de uma redução de 13 pontos percentuais em apenas quatro meses e isso num contexto desfavorável ao presidente, dada a crise econômica em razão da pandemia e mais recentemente da guerra na Europa. Ainda assim os números favorecem Bolsonaro.

A poder data analisou a tendência da seguinte forma: “as oscilações de Lula e Bolsonaro a cada 15 dias neste ano foram sempre dentro da margem de erro de dois pontos percentuais da pesquisa, mas incrementalmente foram indicando um quadro de convergência entre os dois candidatos. Essa é a primeira rodada em 2022 em que o petista registra uma pontuação abaixo de 50 por cento no segundo turno contra Bolsonaro”.

Reparem que olhando só para a última foto da corrida eleitoral o que nós vemos é um candidato com quase dez pontos de vantagem em relação ao seu adversário, mas o filme conta uma história completamente diferente e mostra que essa vantagem vem derretendo ao longo do ano. Analisando a sequência de pesquisas eleitorais da poder data nós constatamos que gradualmente ao longo dos últimos meses a candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro vem ganhando tração.

Segundo o Instituto, só esse ano a vantagem de Lula sobre Bolsonaro diminuiu nove pontos no primeiro turno e 13 pontos no segundo turno. Alguns recortes demográficos explicam o bom momento do atual presidente nas pesquisas.

Se dependesse apenas do voto dos Evangélicos, o conjunto de denominações cristãs que supera trinta por cento da população brasileira, Bolsonaro teria 53 por cento dos votos contra apenas 24 de Lula e estaria eleito em primeiro turno. A fotografia favorece a campanha de reeleição, mas o filme é ainda melhor: há apenas 15 dias o mesmo Instituto apontava que Bolsonaro tinha quarenta e três por cento das intenções de voto dos evangélicos contra 31 por cento de Lula, ou seja, no intervalo de duas semanas, Bolsonaro ganhou 10 pontos, Lula perdeu sete pontos e a distância entre eles cresceu para 29 pontos percentuais.

Isso é um abismo estatístico.

 Talvez esses já sejam os efeitos do “sincericídio” cometido por Lula ao se revelar um defensor da legalização do aborto por conveniência. Para o petista, o aborto deveria ser um direito de todos, acessível pelo sistema público de saúde e Lula ainda acrescentou que como o planeta terra não possui recursos suficientes para suprir a humanidade, uma política de saúde pública pró-aborto garantiria padrões mínimos de qualidade de vida… pelo menos para aqueles que não morressem abortados nos leitos do SUS.

Mas além de afugentar o público evangélico, Lula fez declarações hostis à classe média, alegando que o brasileiro consumia demais muito além do necessário. O petista, que é dono de coberturas e usa relógio importado de quase 100 mil reais, alegou que bastava as famílias brasileiras terem uma TV por domicílio, insinuando também que deveria haver algum tipo de controle na forma como as pessoas gastam o dinheiro que é fruto do seu trabalho.

As consequências desse tipo de declaração também começam a pipocar nas pesquisas. Entre os eleitores com renda média mensal entre dois e cinco salários mínimos então entre dois mil e quatrocentos e seis mil Reais,  Bolsonaro ganhou 3 pontos percentuais em 15 dias e Lula perdeu dois.

Já entre o público que recebe acima de cinco salários mínimos Bolsonaro ganhou quatro pontos e Lula perdeu dois. Nessas duas faixas de renda, Bolsonaro lidera com cerca de 10 pontos percentuais.

Mas aquela história do Lula querer controlar a quantidade de televisores e de celulares também da família brasileira afetou os mais pobres. Entre os entrevistados com renda inferior a dois salários mínimos, Lula perdeu 4 pontos em 15 dias e Bolsonaro ganhou os mesmos quatro. Considerando o impacto que o Auxílio Brasil e o Vale Gás podem ter sobre a renda de famílias vulneráveis nos próximos meses, é mais um sinal de alerta para a campanha de Lula.

Por isso, eu insisto no argumento: num país carente como o Brasil quando nós olhamos um candidato com 47 por cento das intenções de voto entre os eleitores de baixa renda, parece que a questão está liquidada.

Mas essa é apenas uma foto, o filme está contando uma outra história: a história de um “líder popular” que não pode sair às ruas, que tem fama de ladrão e que em 15 dias com a língua solta perdeu oito por cento do apoio que tinha entre a população mais humilde do país.

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