A décima maior população do estado é a segunda em número de homicídios. Trinta e sete casos, a maioria com características de execuções, é o número de crimes violentos letais intencionais – CVLI – a sigla utilizada pelo governo gaúcho para definir homicídios e latrocínios, e que até o momento é o registro que assombra a população local por conta da guerra entre facções. O aumento de casos começou a ser registrado ainda em dezembro de 2021, com um total de dez assassinatos.

A violência é atribuída por populares como um resultado negativo da transferência de 204 presos do Presídio Regional de Pelotas (PRP) para a Penitenciária Estadual do Rio Grande (PERG) em outubro de 2019 para que fossem realizadas obras de reforma nos pavilhões A e B da casa de origem. Em julho de 2020, mais de trinta presos considerados faccionados retornaram ao PRP após conclusão das obras. No entanto não há confirmação oficial da SSP de que essa movimentação de apenados tenha contribuído para a elevação dos números de casos.

Em janeiro deste ano, quando a cidade já contava com mais de dez casos, a cúpula da Secretaria de Segurança Pública, juntamente com o Comandante Geral da Brigada Militar e Chefe de Polícia do Estado se reuniram com autoridades locais e decidiram dar uma resposta mais dura: entre outras medidas, a transferência por tempo indeterminado da sede do Comando do 5º Batalhão de Polícia de Choque, de Pelotas, com todo o seu efetivo para Rio Grande,  o incremento das ações e operações de policiamento com emprego de policiais do BOPE/POA, o Batalhão Ambiental, policiamento aéreo com emprego de helicópteros e incremento de agentes da PM/2 e Polícia Civil.

Na prática, dois batalhões dividindo o mesmo espaço, entre efetivo, equipamentos e viaturas até então exclusivo da sede do 6º BPM, órgão policial militar responsável pelo policiamento ostensivo/preventivo da cidade. O campo de futebol aos fundos do quartel passou a funcionar como heliporto, com sucessivos pousos e decolagens dos helicópteros da corporação. A ordem era deixar claro que o estado não iria permitir o domínio de marginais, se fazendo presente através do policiamento motorizado constante com abordagens a pessoas e veículos suspeitos, contando com apoio aéreo inclusive à noite, em bairros e vilas.

Os resultados foram a apreensão, até hoje, de mais de 130 armas de fogo (em 2021 foram 118 no total), a prisão de mais de 150 traficantes (em todo ano passado não chegou a 230 prisões). Embora as providências dos órgãos de segurança, até o último dia de março pareçam não ter surtido o resultado esperado, uma vez que aquele mês fechou com quatorze homicídios, numa média de 2,21 casos por dia, dois a mais que em janeiro, é compreensível que diante de tanta violência não se possa esperar resultados práticos a curto prazo.

Ainda em 04 de março a Polícia Civil realizou uma operação conjunta com a Brigada Militar onde foram cumpridos oito mandados de prisão e outros trinta e um mandados de busca e apreensão contra suspeitos de crimes de homicídios em diversos bairros da cidade. A operação denominada “Fauda”, contou com mais de cento e trinta policiais. Em continuidade às operações, no início de abril outra operação, denominada “Bloqueio” com objetivo de dar cumprimento a mandado de busca e apreensão culminou com a prisão de um homem, após este disparar sua arma de fogo contra uma agente da polícia civil, que foi atingida na cabeça pelo disparo, além de outras três pessoas, com apreensão de duas pistolas e pinos de cocaína. Na oportunidade, a Polícia Civil buscava identificar uma organização criminosa que atuava no tráfico de entorpecentes liderada por um detento de dentro de uma cadeia, o que também refletia nos homicídios em razão da disputa entre facções. A agente da Polícia Civil apresentou melhoras em seu quadro clínico, mas segue internada.

Agora em abril, aos dez dias do mês finalmente com a transferência de doze lideranças identificadas de facções da Penitenciária Estadual de Rio Grande (PERG) para outras penitenciárias do estado e com “apenas” dois registros de homicídios, parece estar havendo um declínio, embora esses dois registros tenham características claras de que as vítimas tenham sido executadas, sem deixar-se de ressaltar o grande número de prisões de delinquentes armados e consequente apreensão de armas de fogo realizadas diariamente. O trabalho é árduo e a longo prazo, mas está sendo constante e espera-se cada vez mais pela retomada do controle em benefício da sociedade.

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